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Pesquisas da UEM apontam que óleos essenciais e microminerais interferem na qualidade de ovos
Por Administrador
Publicado em 25/01/2026 16:23 • Atualizado 25/01/2026 16:24
Notícias de Maringá

A alimentação das aves exerce impacto direto sobre a saúde, o desempenho produtivo e a qualidade dos ovos que chegam ao consumidor. Na Universidade Estadual de Maringá (UEM), pesquisas conduzidas pela coordenadora do setor de Avicultura, professora Tatiana Santos, e pela docente do Departamento de Zootecnia, professora Simara Márcia Marcato, investigam respectivamente como microminerais e óleos essenciais influenciam a nutrição de galinhas poedeiras e codornas. 

Nos estudos com minerais orgânicos e inorgânicos, entre eles cobre, zinco, ferro, manganês e selênio, Tatiana Santos avaliou as aves durante três ciclos produtivos de 28 dias cada, metodologia padrão adotada em pesquisas com poedeiras. Ao longo desse período, foram coletados ovos diariamente e analisadas características como resistência da casca, composição e vida útil. 

As mudanças observadas chamaram atenção da equipe. As cascas ficaram mais firmes, os ovos mantiveram os níveis nutricionais por mais tempo e a saúde das aves se mostrou mais estável, sobretudo em situações de estresse térmico, condição frequente em regiões de clima quente.  

Segundo Tatiana, microminerais específicos alteram diretamente o perfil antioxidante da gema e na formação da casca. “Para o consumidor, essa diferença nem sempre é visível. Mas para o produtor, representa um ovo mais forte, com menor índice de quebra e melhor retorno econômico”, afirma. Ela explica que a suplementação adequada também fortalece a imunidade das aves, ajudando-as a enfrentar temperaturas elevadas e desafios sanitários. 

Ao final dos três meses, todas as variáveis são comparadas para identificar o nível ideal de suplementação. “No final do trimestre, nós fazemos uma análise total dos resultados para identificar, daquelas dietas que nós propusemos, qual foi a melhor, qual é o nível mais adequado de minerais para aquela idade”, explica Tatiana. A docente destaca que esse cuidado atende tanto à indústria quanto aos consumidores que buscam ovos de qualidade. 

Os testes com microminerais incorporados à ração reforçaram a resistência da casca e ampliaram a durabilidade do produto. “É um ovo que aguenta mais na sua vida de prateleira no mercado. Mantém os níveis nutricionais por mais tempo”, relata Tatiana. O impacto econômico para o produtor também é expressivo. “Representa uma galinha que coloca um ovo mais forte, que resiste mais à quebra e que gera um retorno econômico melhor.” Ela observa ainda que os minerais contribuem para o bem-estar animal. “Nós vivemos num país tropical. As aves sofrem com estresse calórico. Dependendo do micromineral que utilizamos, isso auxilia a melhorar a imunidade e a saúde, mantendo a ave em um bem-estar melhor.”.

Óleos essenciais

Paralelamente, a professora Simara Marcato avaliou um blend comercial de óleos essenciais composto por cúrcuma, orégano, pimenta, tanino e probióticos em galinhas e codornas. “O objetivo da pesquisa foi melhorar a atividade antioxidante desses ovos, o tempo de prateleira e também a saúde da ave, principalmente pensando em saúde intestinal”, explica. Segundo ela, os óleos essenciais fortalecem a imunidade e ajudam as aves a combater vírus e bactérias presentes no ambiente. 

Os resultados mostraram que o suplemento natural aumentou o peso dos ovos, ampliou a espessura da casca, elevou a atividade antioxidante e prolongou a vida útil do produto. “O que melhorou bastante foi o peso do ovo e a espessura da casca. Também avaliamos o poder antioxidante, que melhora a vida de prateleira. Um ovo que teria durabilidade de 30 dias pode ter uma durabilidade maior, mantendo qualidade e nutrientes”, afirma Simara. 

Alimento completo

O ovo é considerado o segundo alimento mais nutritivo do mundo, ficando atrás apenas do leite materno. Ele é rico em proteínas, vitaminas, minerais, triglicerídeos e colesterol benéfico, e antioxidantes como luteína e zeaxantina, essenciais para a saúde dos olhos. O consumo regular ajuda a melhorar o perfil de colesterol e aumenta a sensação de saciedade. 

Durante a pandemia, o consumo cresceu pela combinação de nutrientes, acessibilidade e pela presença de vitamina D. “Ovo não é vilão”, reforça Simara. “Ele é acessível, nutritivo e contribui para a saúde do cérebro, da visão, dos músculos, dos ossos e da imunidade.”. Ela ressalta ainda a presença de colina, essencial para a função cerebral. 

Para aproveitar todos os benefícios, é fundamental que os ovos sejam de boa procedência. A qualidade do produto, no entanto, depende de cuidados desde a granja até o consumidor final. Nas propriedades, os ovos são classificados por tamanho, peso e espessura da casca.  

No ponto de venda, é importante observar como os produtos estão armazenados e expostos. Os ovos precisam ser mantidos em ambiente refrigerado, é importante verificar também o prazo de validade e as condições da casca. Tatiana orienta que o consumidor abra a embalagem e observe atentamente a superfície da casca. “O mínimo é abrir as caixas, olhar a qualidade da casca, se não tem nenhum ovo quebrado.” A pesquisadora recomenda ainda utilizar a lanterna do celular para identificar as trincas internas. 

Em casa, um método simples ajuda a avaliar o frescor. Coloque o ovo em um recipiente com água Se o ovo afundar, significa que está tudo bem e que é fresco. Se boiar, é sinal de alerta, ele pode estar estragado. O fenômeno ocorre porque, com o passar do tempo, o ovo perde água pela casca, o que aumenta a câmara de ar interna. Simara explica que esse processo é acelerado quando o ovo fica exposto ao calor. Mesmo assim, ela aconselha que produtos muito velhos devem ser descartados. “O ovo que é muito velho pode causar mal-estar. Ele perde nutrientes, qualidade e apresenta sabor ruim.” 

Na universidade, há outros estudos em andamento buscando novas formas de garantir o bem-estar animal aliado à qualidade da produção. Simara destaca uma pesquisas com glicinatos, minerais orgânicos de alta absorção, que reduzem significativamente a excreção de minerais no ambiente.  

Resultados preliminares indicam que é possível diminuir em até 85% a inclusão de cobre, manganês e zinco na dieta das aves sem prejudicar o desempenho produtivo, fortalecendo ossos e cascas, e reduzindo o impacto ambiental. Segundo ela, essas evidências apontam para avanços importantes na produção de ovos com menor custo e maior responsabilidade ambiental. 

(Adriana Cardoso/Comunicação UEM)

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