A Comissão de Arbitragem (CA) da CBF promove até sexta-feira (13) a Pré-Temporada para Árbitros Promissores. O evento reúne 66 árbitros e assistentes de todo o Brasil, além de oito instrutores. O seminário conta com atividades práticas na Central do VAR e no campo do Clube da Aeronáutica (CAER), além de sessões teóricas em auditório, com o objetivo de alinhar critérios nas decisões da arbitragem.
Selecionados a partir da análise de desempenho nos campeonatos estaduais e de avaliações in loco realizadas nos seminários regionais do projeto Arbitragem Sem Fronteiras, que já passou por 14 federações, os participantes atuam principalmente em partidas das Séries B e C do Brasileirão.
A proposta da atividade é que, ao longo de uma semana de treinamentos teóricos e físicos, os participantes recebam a mesma qualificação dos árbitros da Série A, recentemente profissionalizados pela CBF, garantindo o mesmo nível de entendimento e aplicação das regras, além de conceitos de controle de jogo.
“Com isso, conseguimos trazer todos para o mesmo nível e, a partir daqui, esses árbitros promissores podem passar a atuar com mais frequência na Série B e, quem sabe, estrear na Série A ainda em 2026”, disse o presidente da CA da CBF, Rodrigo Cintra.
Na Central do VAR, os árbitros de vídeo se dividem entre as cabines para treinar, em equipes, exercícios com imagens de jogos reais, desenvolvidos para aprimorar as análises e a comunicação com os árbitros de campo. “O VAR não pode induzir o árbitro, mas garantir que, no caminho até a cabine, ele receba as melhores informações para a decisão final após analisar as imagens”, explicou Cintra.
Para os árbitros e assistentes de campo, os trabalhos começam no Clube da Aeronáutica. Na parte física, coordenada pelo cientista do esporte Emerson Filippino, integrante da CA da CBF, há dois estandes: um para avaliação e monitoramento e outro para os testes físicos.
A preparação física também contou com treinamentos específicos conduzidos pelo preparador físico Thiago Brites. “Foram três dias de treinamentos intensos, com controle de carga. No primeiro dia trabalhamos a coordenação motora; no segundo, aumentamos a carga com exercícios de pliometria e mudanças curtas de direção, que são demandas específicas da arbitragem; e no terceiro focamos na resistência anaeróbica e aeróbica”, explicou. Segundo Brites, o monitoramento por GPS permite acompanhar métricas de intensidade e volume de deslocamento durante as atividades. “Conseguimos observar, por exemplo, o volume total do treino, que chegou a cerca de 8 km, além das zonas de intensidade em que o árbitro trabalha, o que ajuda a controlar a carga e garantir que eles atinjam as demandas físicas do jogo atual”, afirmou.
Para o assistente Luís Filipe Gonçalves, da Paraíba, o acompanhamento detalhado e o uso da tecnologia são fundamentais para a evolução da arbitragem. “A importância é unificar os treinamentos em todo o Brasil. Isso faz com que possamos planejar e colocar em prática o que os professores pedem, facilitando nossa evolução dentro da arbitragem”, disse. Segundo ele, a tecnologia permite que os instrutores acompanhem o trabalho mesmo à distância. “Mesmo treinando no meu estado, na Paraíba, o professor consegue observar em tempo real a execução do treinamento e enviar ajustes, treinos e planilhas para que todos trabalhem da mesma forma e com a mesma intensidade”, completou.
Ao analisar os dados de cada profissional, Filippino destaca o uso da tecnologia como aliada da arbitragem. Por isso, o grupo de árbitros profissionalizados receberá da CBF smartwatches para monitoramento físico, em um investimento inédito da entidade na qualificação da arbitragem.
“Com a tecnologia, conseguimos acompanhar indicadores como massa corporal, percentual de gordura, flexibilidade e outros dados físico-motores. Ao final dos testes, fizemos um estudo comparando os indicadores dos árbitros promissores com os do grupo PRO e constatamos que os níveis físico e motor são semelhantes”, disse Filippino.
Paralelamente, no campo do CAER, árbitros e assistentes participam de exercícios práticos durante o jogo-treino entre América e 7 de Abril. “Aqui fazemos ajustes finos, porque a arbitragem de alto nível é feita de pequenos detalhes. Após a atividade, eles recebem um feedback imediato para corrigir pontos específicos. Ao longo da semana, voltam ao campo e já podem aplicar essas orientações para melhorar a performance”, explicou Cintra.
No período da tarde, os participantes seguem para as atividades em auditório, no hotel onde estão hospedados. Lá, analisam lances capitais do futebol brasileiro e internacional, como toques de mão, expulsões e impedimentos. Cada lance é exibido duas vezes, os árbitros respondem a um questionário com sua decisão e, depois, as respostas são debatidas com os instrutores.
A árbitra Deborah Cecilia, de Pernambuco, elogiou a iniciativa da CA da CBF para a qualificação e renovação da arbitragem brasileira. “O que o futebol espera é o justo acima do conveniente, e iniciativas como esta nos ajudam a aprender e aperfeiçoar. Com análises como essas, chegamos mais perto do que se espera da arbitragem”, afirmou.
Durante o evento, os assistentes Juarez de Mello (Rio Grande do Sul) e Thayse Marques (Rio de Janeiro) receberam uma notícia especial: a primeira designação para uma partida da Série A.
“É uma sensação única. Depois de anos de dedicação na minha federação e na CBF, sou extremamente grata à Comissão por todo o trabalho que vem desenvolvendo com os árbitros. Isso é muito importante para todos nós”, disse Thayse.
“Fiquei muito feliz e grato pela designação. Luto por isso há mais de 13 anos. Agora é fazer jus à escala e realizar um bom trabalho. Não tem como não dar um frio na barriga, mas quando chegar a hora estarei concentrado para fazer um bom jogo”, concluiu Juarez.
(Texto: CBF Oficial. Foto: Rafael Ribeiro/CBF)