Poucos assuntos rendem tanta polêmica na atualidade quanto os limites e possibilidades da inteligência artificial (IA). No centro das discussões, a tênue fronteira entre o verdadeiro e o falso, ensejada pela profusão de vídeos difundidos exponencialmente nas redes sociais.
A tecnologia vai, contudo, muito além de um mero meio de confirmação ou negação da realidade. Criada há cerca de 60 anos, a IA povoa o imaginário popular com a promessa de automatizar processos e facilitar a vida desde então. Filmes e desenhos animados como Inteligência Artificial (2001), Matrix (1999) e Os Jetsons (1962-63 e 1985-87) reforçaram essa visão otimista da tecnologia.
Independentemente da abordagem, a importância da IA não pode ser negligenciada no século XXI. Ferramentas como Gemini, ChatGPT e DeepSeek, apenas para citar as mais conhecidas, atestam o tamanho da relevância – e sobretudo da dependência – da IA no dia a dia moderno. Por mais fascinante e controversa que possa ser, a tecnologia é uma resposta a problemas solucionados por meio do desenvolvimento de programas e aplicações, que, por sua vez, determinam o funcionamento da IA.
Engenharia de Software e IA
Entre as profissões que se dedicam a resolver problemas por meio destas soluções, a Engenharia de Software é uma das alternativas da área de Tecnologia de Informação (TI). Oferecido pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), o curso de Engenharia de Software da instituição é uma opção de excelência aos interessados em enveredar pelo universo da IA em particular e da programação em geral.
O coordenador do curso de Engenharia de Software da UEM, Edson Alves de Oliveira Junior, vê uma convergência entre a área e a IA, destacando uma nova função para o engenheiro de software no desenvolvimento da tecnologia.
“A gente começa a ver um engenheiro de software muito mais como alguém que supervisiona sistemas inteligentes do que como alguém que simplesmente programa. Mas, ao mesmo tempo, a própria IA depende totalmente da Engenharia de Software. Um modelo de IA, sozinho, não resolve nada se não estiver dentro de um sistema bem projetado. Questões como qualidade, testes, segurança, ética e confiabilidade são todas responsabilidades da engenharia. Então, o que está acontecendo é uma convergência”, explica o docente.
Oliveira também frisa a ressignificação que a profissão está sofrendo a partir do desenvolvimento da IA.
“Está mudando bastante o perfil do profissional de software. Hoje já existem ferramentas que ajudam a escrever código, sugerir soluções, testar sistemas. Então aquele papel mais operacional está diminuindo. O profissional passa a atuar mais na definição do problema, na validação das soluções, na garantia de qualidade e na tomada de decisão. A IA está elevando o nível de exigência da profissão e a Engenharia de Software sendo essencial para torná-la aplicável no mundo real”, projetou o coordenador.
Para além da IA – talvez o maior chamariz para o curso no momento – a Engenharia de Software é pensada para atender a alunos que já trabalham ou que queiram atuar precocemente na área e de forma integrada, aprendendo desde a concepção de uma ideia até a manutenção de um sistema.
Dinâmica do curso
No início do curso, o aluno constrói uma base em computação, com disciplinas como algoritmos, estruturas de dados, matemática e fundamentos de sistemas. Em seguida, se direciona ao núcleo de Engenharia de Software, onde o estudante aprende a identificar requisitos, compreender problemas reais, projetar soluções, definir a arquitetura, implementar sistemas e garantir a qualidade.
“Não é só programar, é aprender a construir software de forma profissional”, lembra Oliveira.
A prática também é valorizada, pondo o estudante em contato com desenvolvimento web, bancos de dados, sistemas distribuídos, IA e aprendizado de máquina, sempre conectando o curso à realidade do mercado.
O egresso Filipe Amadeu Santana, recém graduado, destacou o lado prático do curso, geralmente rotulado de “muito teórico” por colegas que fazem a mesma graduação em outras instituições.
“No caso do curso de Engenharia de Software na UEM, isso não é verdade. Tem disciplinas próprias para desenvolvimento de software, além de matérias com práticas em equipe, em que o professor geralmente simula um ambiente de desenvolvimento de empresa”, afirma Santana, atualmente no mestrado do Programa de Pós-graduação em Ciência da Computação (PCC) da UEM.
A combinação entre teoria e prática redunda no Laboratório de Engenharia de Software e no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), no qual o aluno aplica o que aprendeu em problemas mais complexos, sem contar as disciplinas que abordam aspectos humanos e sociais, como Ética, Direito, inovação e o impacto da tecnologia.
“Isso é fundamental porque, hoje, o software não é apenas técnico. Afeta diretamente a sociedade”, diz o coordenador.
Engenharia de Software e Ciência da Computação
A dinâmica prática do curso ajuda a diferenciar a Engenharia de Software da Ciência da Computação, também oferecido pela UEM. Enquanto a Engenharia de Software tem foco mais aplicado, voltado a formar profissionais capazes de desenvolver sistemas reais, a Ciência da Computação se dirige a fundamentos e teoria, com mais aprofundamento em algoritmos, modelos computacionais e desenvolvimento de novas tecnologias.
“A Engenharia de Software está muito ligada à construção de software em escala, enquanto a Ciência da Computação está mais ligada à criação de conhecimento e tecnologia”, afirma Oliveira.
Pesquisa e Extensão
O curso conta com projetos de pesquisa a partir da participação de estudantes em iniciação científica e programas que conectam alunos a empresas e órgãos públicos, permitindo que trabalhem em projetos reais durante a graduação.
No âmbito extensionista, o eixo não é complementar, mas diretamente integrado à formação do aluno, a partir de disciplinas específicas de extensão distribuídas ao longo da graduação, incentivando o discente a olhar para problemas reais, muitas vezes ligados à comunidade, e a pensar em soluções com software.
“Por exemplo, já na segunda série, o aluno começa a trabalhar com temas como inovação em tecnologia e informática e a sociedade. Depois, evolui para atividades mais estruturadas, como o “DIN na Comunidade”, em que os alunos participam de cursos, capacitações e projetos voltados à sociedade. Eles podem, por exemplo, desenvolver sistemas para pequenas organizações, apoiar iniciativas públicas ou atuar em projetos com impacto social direto”, explica o coordenador.
No Laboratório de Engenharia de Software, essa experiência fica ainda mais próxima do mercado. Os alunos trabalham em equipe, com demandas reais, muitas vezes oriundas de parceiros externos, precisando lidar com prazos, requisitos e mudanças, tudo o que ocorre no mundo profissional.
“A extensão cria um ciclo de aprendizado muito rico. O aluno sai da teoria, enfrenta um problema real, percebe as dificuldades, volta à teoria com outra visão e evolui como profissional. Além disso, essas atividades desenvolvem habilidades fundamentais hoje, como trabalho em equipe, comunicação, responsabilidade social e capacidade de lidar com problemas abertos. Então, mais do que aprender a programar, o aluno aprende a usar tecnologia para gerar impacto real. Isso faz muita diferença na formação e na inserção no mercado”, diz o docente.
Mercado aquecido
Toda essa estrutura promovida pela Engenharia de Software da UEM enseja oportunidades de ingresso no mercado de trabalho. De acordo com Santana, o curso realiza anualmente a Semana de Computação (Secomp), que promove palestras, workshops, mesas redondas, hackathon e, geralmente no último dia, uma feira de oportunidades, onde empresas apresentam projetos e, muitas vezes, estágio ou até emprego.
“Falando em estágio e oportunidades, o Departamento de Informática (DIN) tem parceria com várias empresas e praticamente toda semana aparece alguma vaga de estágio na área. Eu mesmo ainda tenho o e-mail institucional e sempre recebo oportunidades que a coordenação envia. Também há palestras com pesquisadores e profissionais da área, além de minicursos que o Programa de Educação Tutorial (PET) organiza”, afirma o egresso.
Há muita demanda para profissionais da área, tendência que se consolidou nos últimos anos na esteira da dependência de soluções de software de praticamente todos os setores da economia. O perfil versátil do egresso é outro ponto que facilita a empregabilidade do profissional da área, no sentido em que ele pode atuar como desenvolvedor, engenheiro de software, arquiteto de sistemas, analista de requisitos, gerente de projetos ou até como empreendedor.
“Sem contar que há uma transformação digital em escala global. Empresas estão revisando seus processos, automatizando atividades, criando produtos digitais. E isso exige profissionais qualificados para projetar, desenvolver e manter esses sistemas”, afirma Oliveira.
O fato de o engenheiro da área poder trabalhar à distância torna a profissão ainda mais atrativa, pois permite, por exemplo, que o futuro engenheiro opere até mesmo em outros países estando no Brasil.
No âmbito regional, a situação também é favorável. Em Maringá, já existe um ecossistema de tecnologia sólido, com empresas consolidadas, startups e iniciativas de inovação, criando um ambiente propício à prospecção de talentos na área.
O mercado aquecido e a flexibilidade característica da área tornam a Engenharia de Software valorizada, com salários partindo de R$ 3 mil a R$ 5 mil para iniciantes e subindo para algo entre R$ 6 mil e R$ 10 mil a engenheiros experientes, podendo alcançar cifras consideravelmente maiores dependendo da área da empresa contratante ou se o trabalho for remoto fora do País.
Combinação de excelência e circunstâncias favoráveis
Contando com corpo docente qualificado e integração com a pós-graduação, além da ênfase extensionista e a conexão com o mercado regional, o curso de Engenharia de Software da UEM se mostra como uma oportunidade aos entusiastas da área de TI na região.
“Um diferencial importante é que o curso permite ao aluno se envolver, desde cedo, com pesquisa, extensão e projetos com empresas. Então ele não fica só dentro da sala de aula, ele vivencia a área na prática. É um curso que forma um profissional completo. Alguém que entende a base teórica, que sabe aplicar na prática e tem visão crítica sobre o papel do software no mundo”, explica o coordenador.
Ligado ao DIN e vinculado ao Centro de Tecnologia (CTC), o curso de Engenharia de Software da UEM é oferecido à noite no Câmpus Maringá e tem prazo mínimo de conclusão de 5 anos e máximo de 9, proporcionando ao estudante o grau de bacharel em Engenharia de Software na melhor Universidade do Sul do Brasil.
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(Fábio Candido/Comunicação UEM)