O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) participou, nesta semana, do 4º Encontro de Negócios e Biodiversidade da Coalizão LIFE, realizado entre esta segunda quarta-feira (27 a 29), na Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu. A agenda reuniu empresas, instituições financeiras, órgãos públicos e especialistas para discutir como a conservação da natureza pode deixar de ser tratada apenas como uma externalidade ambiental e passar a integrar a estratégia de negócios, a gestão de riscos e a mobilização de investimentos.
A participação do BRDE teve dois pontos centrais na programação. O primeiro foi a presença do diretor de Planejamento, Leonardo Busatto, na reunião de alta liderança da Coalizão LIFE, na segunda-feira (27). O segundo foi o painel “Construindo a demanda por créditos de biodiversidade: desafios e oportunidades”, realizado na terça-feira (28).
O debate contou com a participação do superintendente do BRDE no Paraná, Paulo Starke, e teve mediação de Lisiane Astarita, gerente de Planejamento e Novos Negócios do BRDE no Paraná. Também participaram da discussão Odette Campos, gerente para o Meio Ambiente no BNDES, e Camila Leotti, gerente de Projetos na Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).
No painel, o BRDE apresentou a experiência do Banco Verde e do Fundo Verde e de Equidade, conjunto de iniciativas voltadas à promoção de impactos socioambientais e climáticos positivos na Região Sul. A estratégia atua em três frentes: redução do impacto ambiental das operações internas do banco, apoio financeiro não reembolsável a projetos socioambientais e climáticos e incentivo a operações de crédito com impacto positivo.
Entre 2021 e 2024, o Fundo Verde contabilizou R$ 25,6 milhões em recursos disponíveis, dos quais R$ 19,25 milhões já foram aplicados em iniciativas no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Com a contrapartida de parceiros, os projetos somam R$ 36 milhões em investimentos.
Um dos exemplos apresentados foi a parceria entre o BRDE e a Secretaria do Desenvolvimento Sustentável (Sedest) do Paraná para fomentar créditos de biodiversidade a partir de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs). O projeto prevê a compra, pelo banco, de créditos gerados por áreas privadas de conservação, com aporte de até R$ 2 milhões.
O edital selecionou sete RPPNs paranaenses, localizadas em municípios como Bocaiúva do Sul, Jaguariaíva, Tibagi, Campo Largo e Ponta Grossa. A iniciativa prevê a aquisição de até 1.600 créditos por ano de cada reserva selecionada, com valores progressivos no primeiro e no segundo ano, condicionados à implementação de plano de ação.
“Quando uma instituição financeira passa a olhar a biodiversidade como ativo estratégico, ela ajuda a criar mercado, reduzir riscos e dar escala a soluções que antes ficavam restritas à agenda ambiental. O desafio agora é transformar bons projetos em instrumentos financeiros capazes de remunerar quem conserva e orientar a carteira de crédito para atividades com impacto positivo”, afirma Starke.
Lisiane Astarita destacou que o avanço dessa agenda exige método, mensuração e articulação entre diferentes atores. “O crédito de biodiversidade só ganha consistência quando há critérios técnicos claros, certificação, governança e demanda qualificada. O papel do BRDE é contribuir para que essa agenda avance com segurança, aproximando conservação, desenvolvimento produtivo e inovação financeira”, diz ela.
A comitiva do BRDE também contou com a participação de Simone Camargo, gerente-adjunta de Planejamento no Paraná; Fernanda Maia, gerente-adjunta de Operações/Conveniadas na agência do Rio Grande do Sul; e Claudia Ostermann, analista de Projetos também na agência gaúcha.
COALIZÃO – Criada para aproximar o setor empresarial da agenda de conservação, a Coalizão LIFE de Negócios e Biodiversidade reúne um grupo de instituições comprometidas em inserir a biodiversidade nos modelos de negócio, nas cadeias de valor e nas estratégias ESG. Lançada oficialmente em dezembro de 2022, durante a COP-15 de Biodiversidade da ONU, em Montreal, a coalizão se conecta às metas do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal.
O BRDE integra a Coalizão LIFE desde 2023 e foi o primeiro banco a aderir ao grupo. O primeiro encontro da Coalizão ocorreu naquele ano no Espaço Cultural BRDE – Palacete dos Leões, em Curitiba, quando o banco apresentou sua estratégia de Banco Verde a representantes de empresas e instituições associadas. As edições seguintes ocorreram na Klabin, em 2024; na Vale, em 2025; e, neste ano, na Itaipu Binacional.
A programação do encontro em Foz incluiu debates sobre economia verde, biodiversidade na agenda empresarial, instrumentos financeiros para a biodiversidade, créditos de biodiversidade e o papel dos governos e do setor financeiro na formação de demanda para esses ativos.
Para o BRDE, a participação na Coalizão LIFE reforça uma agenda que combina financiamento, inovação e sustentabilidade. Além do projeto de créditos de biodiversidade no Paraná, o banco vem apoiando iniciativas em áreas como restauração e conservação da biodiversidade, segurança hídrica, descarbonização da indústria, resiliência climática, saneamento, economia circular e inclusão produtiva.
A estratégia também prevê o uso de metodologias da LIFE, como o Life Key e a Matriz BSE, para aprofundar a análise da carteira de clientes financiados, disseminar boas práticas e aproximar a agenda de biodiversidade do Sistema Financeiro Nacional e de instituições internacionais de fomento.
Em Foz do Iguaçu, a comitiva do BRDE também fez uma visita técnica ao Itaipu Parquetec, com foco na pauta de inovação. Localizado na área da Itaipu Binacional, o parque tecnológico atua como ecossistema de inovação, integrando instituições de ensino, empresas e órgãos governamentais, com projetos voltados à pesquisa aplicada, tecnologia, sustentabilidade e desenvolvimento territorial.
(Texto: AEN. Foto: BRDE)