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Debate na Assembleia amplia discussão sobre inclusão de meninas e mulheres nas ciências exatas e na pesquisa científica
Por Administrador
Publicado em 04/05/2026 15:41
Notícias do Paraná

A Assembleia Legislativa do Paraná promoveu, nesta segunda-feira (4), o evento “Construindo Espaços: Mulheres e Meninas na Ciência”. Proposto pela deputada Luciana Rafagnin (PT), o encontro tem como objetivo incentivar as novas gerações femininas a exercer um papel de destaque neste campo que ainda apresenta forte predomínio masculino.

“O objetivo desse evento é promover um diálogo com alunos e professores da Universidade Federal do Paraná, tendo em vista a lei que apresentamos nesta Casa, que busca dar visibilidade à participação feminina, seja de meninas ou de mulheres, na ciência. Nós sabemos que hoje essa participação é relativamente pequena quando se analisa a permanência das mulheres. Temos hoje 57% de estudantes do público feminino na graduação e pós-graduação, mas, quando se observa a permanência no corpo docente, temos apenas 43% de mulheres. Isso significa que elas ainda encontram bastante dificuldade para se formarem e permanecerem atuando, seja no corpo docente, seja diretamente na pesquisa científica”, afirmou a deputada, que destaca a importância desse tipo de debate na Casa de Leis.

“Nós queremos, com esse encontro, fortalecer o diálogo e promover uma campanha permanente para dar mais visibilidade à participação feminina na ciência, nas exatas e na pesquisa científica. Por isso, o objetivo é justamente esse: dialogar e buscar, principalmente, o debate sobre políticas públicas que possam garantir a permanência das mulheres na ciência, para alcançarmos uma equidade de gênero na produção científica”, complementou Luciana Rafagnin.

Exemplo de sucesso

Durante o evento, a deputada entregou uma menção honrosa à pesquisadora Rita de Cássia dos Anjos, professora associada do Departamento de Engenharias e Exatas (DEE) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A astrofísica, especialista em raios cósmicos e raios gama, foi recentemente premiada na área de Ciências Exatas e da Terra e Engenharias, na categoria Estímulo, pela contribuição para o avanço da ciência, da tecnologia e da inovação no Brasil, na 2ª edição do Prêmio Mulheres e Ciência (PMC), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“É uma alegria e uma honra muito grandes ser homenageada aqui na Assembleia Legislativa, ainda mais na área de ciências exatas, o que representa um incentivo para meninas e mulheres. A cada dia e a cada ano, muitos movimentos e ações têm sido realizados para mostrar a importância da ciência exata como um todo e, principalmente, incentivar a participação feminina nessa área. Minha área é a física de altas energias, e nosso foco é entender o que acontece no universo que gera partículas de altas energias. Hoje terei a oportunidade de apresentar e discutir um pouco esse campo”, afirma a homenageada.

Ela é um exemplo a ser seguido por futuras pesquisadoras e professoras, como a estudante de engenharia mecânica Kauana Alessandra dos Santos.

“Quando recebi o convite para estar neste local, nesta Casa, que é tão importante para a sociedade, pensei em como é relevante falar sobre um tema tão significativo em um espaço como este. Estou muito honrada de estar aqui hoje. É fundamental ampliar esse debate e levar para a sociedade o que fazemos em projetos que incentivam meninas e mulheres nas ciências exatas, nas áreas de tecnologia e engenharia”, contou a jovem, que pretende seguir carreira na área aeroespacial.

“Eu sempre fui apaixonada pelo espaço, então escolhi a engenharia mecânica por conta da minha paixão por foguetes, astronomia e estrelas. Estou na reta final do curso e, desde o início, tive como missão incentivar meninas e mulheres a ingressarem nessas áreas, independentemente do caminho profissional que eu siga. Na engenharia mecânica, que é a minha realidade, ainda somos minoria. Temos poucas meninas, mas estamos trabalhando para mudar esse cenário. Participo desses projetos justamente para fortalecer essa transformação, trazendo protagonismo e representatividade feminina, para que possamos nos sentir acolhidas e saber que nosso lugar é onde quisermos estar”, explicou Kauana.

Espaço a ser conquistado

Para Camila Girardi Fachin, vice-reitora da UFPR, o encontro é um importante incentivo para ampliar a presença feminina em áreas ainda pouco exploradas pelas mulheres.

“Um evento como esse é muito importante para estimular nossas meninas a ingressarem nas áreas das ciências. Na Universidade Federal do Paraná, temos vários projetos, mas ainda observamos que, nos cursos das áreas mais puras das ciências, apenas um terço dos estudantes são mulheres. Precisamos mostrar que elas podem ser cientistas, estudar matemática, química e engenharia. Eventos como este são fundamentais para dar visibilidade a esse tema”, afirmou.

 

Também contribuíram para o debate as professoras Rachel Reis, do projeto Concat(gurias), que visa impulsionar a participação e reduzir a evasão de estudantes do sexo feminino nos cursos de Computação do Setor de Exatas da UFPR; Paula Couto, do Departamento de Matemática da UFPR e coordenadora do projeto de extensão MatematicATIVA, voltado à divulgação da disciplina em escolas públicas; Ivony Costa Rosa, doutoranda em Políticas Públicas pela UFPR; Camilla Karla Brites Queiroz, do Departamento de Física da UFPR, que atua no projeto “Meninas e Mulheres nas Ciências”, estudando questões de gênero e inclusão feminina; Elizabeth Wegner Karas, coordenadora do evento “Meninas nas Exatas: Por Elas para Todos”, realizado anualmente pela UFPR; a neurocientista Débora Santana, da Fundação Araucária; e a engenheira civil Patrícia Salvação.

(Texto: Alep. Foto: Valdir Amaral/Alep)

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