A Universidade Estadual de Maringá (UEM) celebra, nesta segunda-feira (11), 50 anos de reconhecimento federal. O decreto nº 77.583, de 11 de maio de 1976, assinado pelo chefe do Executivo à época, o presidente Ernesto Geisel, chancelou o funcionamento da UEM como instituição de ensino superior de envergadura nacional no âmbito do Ministério da Educação (MEC).
O ato administrativo federal permitiu à UEM obter autonomia na criação de cursos, acesso facilitado a financiamentos, celebração de convênios nacionais e internacionais e validação de diplomas em todo o país, elevando o status institucional da Universidade e colocando Maringá definitivamente no mapa da produção cientifica nacional.
O caminho para a obtenção da chancela federal se iniciou em 1975, com o protocolamento do pedido de reconhecimento ocorrendo a 10 de julho daquele ano. Envolta em muita expectativa, a UEM, sob a gestão do reitor Rodolfo Purpur, contou com a liderança do professor Argemiro Aluísio Karling, o primeiro coordenador do curso de Pedagogia, para reunir a volumosa documentação exigida para solicitar o reconhecimento.
Em tempos de proliferação de nuvens e documentos digitais, chamar a documentação de “volumosa” não chega a ser um eufemismo. De acordo do Diário do Norte do Paraná, que cobria a movimentação da UEM em janeiro de 1976, foi necessário utilizar um caminhão para transportar para Brasília – onde foi feita a avaliação da instituição – os 46 volumes que atestavam a qualidade dos 16 cursos que a Universidade oferecia à época.
Com o desfecho favorável à UEM, o reconhecimento federal pavimentou o terreno para que a instituição se tornasse, ao longo desses 50 anos, um polo de excelência no Paraná, estando presente em Maringá e em mais seis câmpus regionais, contribuindo, a partir do tripé ensino-pesquisa-extensão, decisivamente para o desenvolvimento socioeconômico das regiões nas quais está estabelecida.
O reitor Leandro Vanalli relembrou a importância da data, enfatizando a modernização da Universidade durante o cinquentenário da chancela federal.
“Celebrar os 50 anos de reconhecimento federal e olhar para esta trajetória de excelência nos honra enquanto gestores, ao darmos continuidade a uma história de expansão constante. Nossa missão tem sido imprimir ritmo a essa evolução. Por isso, assumimos o compromisso de não deixar nenhum projeto para trás. Trabalhamos incansavelmente na atualização e execução de todas as obras que encontramos paralisadas, assegurando que, até o final de 2026, nosso campus esteja em plena renovação”, afirmou o reitor.
Expansão qualitativa e territorial
Olhando para trás, mas, ao mesmo tempo, vislumbrando o futuro a partir do presente, é possível perceber o crescimento exponencial da UEM no cinquentenário de assinatura da chancela federal e o enorme potencial que a instituição ainda guarda em projetos novos e em desenvolvimento.
No tocante ao que a UEM tem de estabelecido, são destaques os diversos centros de pesquisa e produção distribuídos pelos câmpus da Universidade, como a Fazenda Experimental de Iguatemi (FEI), a Estação Experimental de Piscicultura, em Floriano, uma base avançada na cidade de Porto Rico, com pesquisas do Núcleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aquicultura (Nupelia), além da Estação Climatológica Principal de Maringá (ECPM).
Outro importante marco de consolidação da UEM no cenário nacional é o Complexo de Saúde, formado pelo Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM), o Hemocentro, a Clínica Odontológica (COD), a Unidade de Psicologia Aplicada (UPA), o Laboratório de Ensino e Prática em Análises Clínicas (Lepac), o Hospital Veterinário (HVU) e a Farmácia Ensino, que também completou 50 anos recentemente.
No contexto do futuro que já se estabelece no presente, a UEM tem sobressaído, assumindo o protagonismo das iniciativas de inovação e tecnologia em Maringá e região, com o Hub de Inovação Fronteira, o Núcleo de Inovação e Tecnologia (NIT) e o futuro Parque de Ciência e Inovação, ambiente tecnológico com 3.761 metros quadrados e investimento de R$ 24 milhões, cuja construção deve ser iniciada ainda este ano.
"O futuro também se constrói com inovação. Com o novo Parque Tecnológico da UEM, abrimos as portas para as deep techs e para o desenvolvimento científico de ponta. Esse avanço reflete-se, também, em nosso Complexo de Saúde e no Hospital Universitário, que hoje operam com investimentos robustos em tecnologia e uma gestão eficiente, superando a marca histórica de 160 mil atendimentos anuais. Tudo o que construímos e modernizamos converge para um único objetivo - entregar uma UEM mais forte, presente e essencial para a vida das pessoas", disse Vanalli.
Subjacente a essas iniciativas, a UEM, sempre atenta às desigualdades sociais, trabalha para manter os estudantes na Universidade com políticas de permanência estudantil implementadas por meio de bolsas e auxílios, além do fornecimento de alimentação gratuita a estudantes em vulnerabilidade socioeconômica no Restaurante Universitário (RU), em Maringá, e nos câmpus regionais, por meio da concessão de marmitas.
Ensino, pesquisa e extensão
Toda essa estrutura é mantida pelo trabalho de um efetivo total de 3.414 servidores, dos quais 1.605 são docentes e 1.809 agentes universitários, permitindo que a UEM tenha mais de 20 mil alunos matriculados, sendo cerca de 16,5 mil na graduação, distribuídos por 95 cursos presenciais, além de mais de 3 mil divididos entre os sete cursos à distância oferecidos em 33 polos de apoio. Dois novos – Engenharia em Automação e Controle, com ênfase em Inteligência Artificial e Filosofia (bacharelado) – se somam a este universo de cursos a partir de 2027.
Na pós-graduação, mais de 4 mil alunos completam o rol de acadêmicos da UEM, distribuídos por 37 cursos de doutorado, 58 de mestrado e 17 de especialização em 511 grupos de pesquisa e 434 laboratórios. A qualidade dos programas pôde ser atestada na última avaliação quadrienal (2021-2024) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), divulgada em janeiro. A UEM conquistou a nota máxima – 7 – em dois, enquanto seis programas obtiveram conceito 6 e outros 20 receberam nota 5.
Na extensão, o viés também é de alta. A UEM oferece 370 cursos, com 8.245 beneficiários, 681 docentes participantes e 1.836 discentes envolvidos. Parcerias com prefeituras, escolas estaduais e municipais, ONGs, associações de catadores, cooperativas, empresas do setor produtivo, startups, possibilitam ações extensionistas voltadas à comunidade nas áreas de saúde, educação, agricultura, assistência social, meio ambiente, arte e tecnologia.
Os cursos de extensão democratizam o conhecimento, permitindo o acesso da comunidade a formações continuadas, capacitações práticas, oficinas temáticas e conteúdo de relevância científica e profissional. Ao todo, são 525 projetos extensionistas em execução, com 1.641.690 beneficiários atendidos, 801 docentes envolvidos e 3.201 discentes participantes.
Excelência nacional e internacional
Figurando entre as melhores universidades do País, de acordo com levantamentos consolidados, como o Índice Geral de Cursos (IGC), do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Ranking Universitário Folha (RUF) e o Guia da Faculdade Estadão, a UEM é, hoje, a melhor instituição estadual de ensino superior do Sul do País.
Nas mais de cinco décadas de atuação, a excelência da Universidade também se verifica no plano internacional, integrando o grupo das quatro instituições estaduais nacionais mais bem classificadas em dois dos ranqueamentos mais relevantes.
No Ranking Leiden, produzido pela Universidade de Leiden, da Holanda, e relativo ao quadriênio 2020-2023, a instituição aparece na 22ª posição entre as 39 brasileiras classificadas, além do 893º lugar no ranqueamento mundial. Já No Ranking de Universidades da América Latina 2026, divulgado pela Times Higher Education (THE), a UEM alcançou o 24º lugar entre as 69 brasileiras avaliadas e 44º lugar na América Latina.
Histórico institucional
Criada pelo decreto estadual nº 6.034, de 6 de novembro de 1969, junto com as “irmãs” de Londrina (UEL) e Ponta Grossa (UEPG), a então Fundação Universidade Estadual de Maringá (Fuem) se tornaria instituição de direito público – a UEM, de fato – pouco mais de dois meses depois, por meio de novo ato administrativo do governo do estado – nº 18.109 –, a 28 de janeiro de 1970, seis anos antes do reconhecimento federal.
Em março de 2020, o governador Carlos Massa Ratinho Júnior promoveu o recredenciamento institucional da UEM, requerido a partir de 1996 pelo Conselho Estadual de Educação (CEE-PR), coordenado pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). Na ocasião, foram avaliadas as universidades do Centro Oeste (Unicentro), do Oeste do Paraná (Unioeste), UEL e UEPG, além da UEM, que obteve a maior nota no processo, com 4,91, em uma escala de 0 a 5.
(Fábio Candido/Comunicação UEM)