Offline
MENU

Maria Grazia Zolet é o nome oficial da Biblioteca Central da UEM
Por Administrador
Publicado em 13/05/2026 20:17
Notícias de Maringá

Uma data histórica para a Universidade Estadual de Maringá e para a Biblioteca Central (BCE), que passa a se chamar oficialmente Biblioteca Central Maria Grazia Zolet. A manhã de terça-feira (12/), durante a cerimônia de descerramento da placa, foi marcada pela emoção de amigos e familiares da primeira bibliotecária contratada pela UEM, fundadora da BCE e da Biblioteca Setorial do Hospital Universitário (HUM).

A cerimônia contou com a presença de familiares da bibliotecária, incluindo os filhos Rafael e Desirée, que vieram de diferentes cidades para prestigiar o momento. Porém, a maior emoção foi proporcionada pelo neto, Felipe Ferrer, que pediu a palavra no final da solenidade, quebrando o protocolo e surpreendendo os presentes.

“Ao ver tantas pessoas falarem da minha vó, eu não poderia vir até aqui e não falar sobre ela”, disse, antes de se emocionar. “Eu tenho certeza de que ela deixa um legado de amor, mesmo para aquelas pessoas que não conviveram com ela. Sintam-se todos abraçados pela minha avó”, resumiu o neto.

 A cerimônia foi prestigiada pelo reitor Leandro Vanalli; pela vice-reitora Gisele Mendes; pelo pró-reitor de Ensino, Marcos Vinicius Francisco; e pela diretora da BCE/UEM, Márcia Regina Paiva de Brito. 

“O ato de descerrar esta placa vai muito além de atribuir um nome a um espaço físico. Hoje, eternizamos uma história. Eternizamos uma mulher que ajudou a construir os alicerces desta universidade por meio do conhecimento, da organização, da ética e do compromisso com o serviço público”, afirmou Márcia.

Ela lembrou que Maria Grazia Zolet foi a profissional visionária que, em 1972, aceitou o desafio de organizar, estruturar e implantar a BCE, quando ainda existiam apenas estantes, caixotes e sonhos.

“Em um período em que os livros chegavam de carroça ao campus, ela já pensava em uma biblioteca moderna, acessível e democrática, implantando o sistema de livre acesso ao acervo, algo inovador para a época e que permanece até hoje como parte da identidade da nossa biblioteca. Sua atuação ultrapassou as funções técnicas”, destacou.

Grazi, como era conhecida, compreendia profundamente a administração pública, conhecia os trâmites institucionais e defendia a legalidade, a ética e a excelência no trabalho. Ela tinha uma frase marcante: “Se é conforme os trâmites legais, então eu aceito”.

Ainda de acordo com a diretora, a lembrança de Maria Grazia não está apenas nos documentos, nas estruturas administrativas ou nas bibliotecas que ajudou a fundar.

“Seu maior legado está nas pessoas, na formação de gerações de bibliotecários e servidores que aprenderam com sua firmeza, inteligência, sensibilidade e dedicação à universidade pública. Este momento também é resultado de um trabalho construído em etapas, com responsabilidade, pesquisa histórica, documentação e diálogo institucional”, ressaltou.

A bibliotecária Maria Salete Ribelatto Arita, colega de trabalho da homenageada, também foi lembrada pelo apoio à preservação dos documentos históricos, pelos relatos compartilhados e pela mediação junto à família de Maria Grazia Zolet. 

Maria Grazia Zolet

A história de Maria Grazia Zolet começa em 1947, na pequena Primolano, no norte da Itália, onde nasceu. Em 1952, com apenas cinco anos, ela atravessou o oceano com os pais, Narciso e Anna, trazendo na bagagem o sonho de uma nova vida no Brasil.

Curitiba foi seu primeiro porto. Lá, cresceu, trabalhou desde cedo como auxiliar de escritório e descobriu sua vocação entre as estantes da Universidade Federal do Paraná.

Em 1969, graduou-se em Biblioteconomia pela instituição e, em 1º de março de 1972, a convite do então reitor José Carlos Cal Garcia, veio para a recém-criada UEM. Sua missão era fundir as bibliotecas das antigas faculdades isoladas em uma única estrutura.

Foi dela o projeto de estruturação organizacional e a implantação do audacioso sistema de “livre acesso” — um modelo americano que, na época, rompia com o conservadorismo e permitia que o aluno tocasse o livro, circulasse pelas estantes e interagisse com o saber de forma livre.

Em 1º de março de 1975, a convite do reitor Rodolfo Purpur, foi promovida a bibliotecária-chefe da Biblioteca da Fundação Universidade Estadual de Maringá, cargo no qual permaneceu até outubro de 1986.

 

Legítima fundadora da Biblioteca Central da UEM, Maria Grazia Zolet faleceu em 2012, aos 65 anos.

“Que cada estudante, pesquisador, servidor e visitante que entrar nesta biblioteca compreenda que este espaço carrega a história de uma mulher que dedicou sua vida ao conhecimento e à universidade pública. Hoje, mais do que descerrar uma placa, nós abrimos oficialmente mais uma página da memória institucional da UEM”, finalizou Márcia.

(Marcelo Bulgarelli/Comunicação UEM)

Comentários
Comentário enviado com sucesso!