A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) realizou na segunda-feira (25), em um hotel no Rio de Janeiro, a segunda reunião com clubes e Federações para a criação da Liga Futebol no Brasil. Estiveram presentes representantes dos clubes da Série A e B do Campeonato Brasileiro e presidentes das federações estaduais. O encontro dá sequência à primeira reunião, realizada em abril deste ano, que marcou o pontapé inicial do esforço coletivo pelo fortalecimento do futebol nacional.
“Olhamos o futebol com outros olhos, planejamos fazer as mudanças necessárias que o futebol brasileiro precisava e mudar o futebol brasileiro de uma vez por todas. Desde o início deixei claro que nós da CBF não iríamos caminhar sozinhos, que nós iríamos fazer uma gestão descentralizada, com a participação dos clubes e federações, e o resultado está aqui, com uma sequência para discutir uma liga forte no futebol brasileiro. Estamos chegando numa fase de ajustes. Tudo que prometemos no início cumprimos: focar nas mudanças estruturais que o futebol brasileiro necessitava”, disse Samir Xaud, Presidente da Confederação Brasileira de Futebol.
Novos temas foram levantados no encontro, como a apresentação de estudos e pesquisas de novas janelas de transmissão dos jogos. O trabalho foi realizado a partir das grades de grandes campeonatos europeus, como Premier League, Bundesliga e La Liga.
“Hoje foi a nossa segunda reunião para discutir a Liga, aprofundamos alguns assuntos que já tínhamos trazido na primeira reunião, que é a tentativa de praticar ações para aumentar o público nos estádios, com a padronização dos horários, com ações específicas de combate à violência. Também trabalhamos em assuntos que visam dar maior proteção ao jovem atleta, com a regulamentação da função de agente. Trouxemos aqui também medidas de combate à violência nos estádios e também tivemos a apresentação do STJD, que já tem apresentado medidas para redução do tempo processual, visando dar mais celeridade e efetividade nas decisões do STJD. Contamos com a ampla participação dos clubes, em todos os temas foram vários debates, sugestões, algumas dúvidas e a gente conseguiu aprofundar bastante nos assuntos. Essa ligação da CBF com os clubes vai fazer com que a gente apresente cada vez mais medidas sólidas e eficazes para o futebol brasileiro”, disse Helder Melillo, diretor executivo da CBF.
A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, que também esteve presente no primeiro encontro, elogiou o material apresentado pela CBF e reafirmou sua posição como aliada no processo de construção da liga. Pereira se posicionou sobre o problema da violência nos estádios, diante dos números apresentados pela CBF no encontro, e comentou também as propostas para uma nova padronização dos horários das partidas.
“É sempre um prazer estar aqui discutindo um tema tão relevante que é a formação da nossa liga. Nessa reunião foram abordados cinco temas que os grupos de estudo vão se aprofundar para que a nossa liga realmente possa sair de uma forma que valorize o futebol brasileiro. A violência é uma preocupação muito grande para o produto, para as pessoas. Comentei também as questões dos horários das partidas, que é importante também. Inclusive os clubes vão opinar sobre este tema. A CBF pode ter a mais absoluta certeza que a presidente Leila Pereira e o Palmeiras estão aqui para colaborar com o que for melhor para o futebol brasileiro”, disse.
A infraestrutura dos 21 estádios da Série A do Campeonato Brasileiro foi tema de debate a partir de um raio-X técnico elaborado pela empresa Arena Events+Venues. O estudo foi avaliado e divulgado a partir de quatro pilares: arquitetura e engenharia, gramado, iluminação esportiva e topografia, que abordou dimensões do campo, drenagem e níveis do campo de jogo.
“Acho que é um processo importante buscando com os protagonistas do futebol, clubes, federações e a própria CBF, um objetivo comum que é fortalecer o futebol brasileiro, que é melhorar o nosso produto, o Campeonato Brasileiro. Começamos a tratar eles de uma forma mais profissionalizada com dados, com informações, e isso, com certeza, soma muito. E isso feito hoje, principalmente o tema de segurança, que afasta o público dos estádios, o tema dos horários das transmissões dos jogos, são avanços importantes. O próprio STJD, o Grupo de Trabalho da Base, são questões que influenciam na melhoria do produto”, disse Alessandro Barcellos, presidente do Internacional.
Um dos pontos altos da reunião desta segunda foi a criação da Comissão Antiviolência do Futebol Brasileiro. A Comissão será presidida por Mauro Carmélio Neto, presidente em exercício da Federação Cearense de Futebol. O grupo atuará em quatro frentes prioritárias de combate à violência no futebol brasileiro: segurança e controle de acesso, acompanhamento de processos, proteção dos jogadores e competência do STJD.
“A CBF está muito preocupada com a questão da violência nos estádios. Entendemos por bem criar a Comissão Antiviolência do Futebol Brasileiro. Com essa comissão, vamos mapear dados, coletar informações com todos os estados do país para analisar o que pode ser feito, onde poderemos agregar de condições, criar um banco de dados nacional de torcedores que não vão poder mais frequentar os estádios. Esse é um dos primeiros pontos. Outro ponto importante é a gente colocar no manual de competições que a partir de agora também os centros de treinamento não poderão mais ser adentrados por torcedores. Entendemos que a própria legislação trabalhista já fala isso, sobre ter um cuidado com os atletas. O centro de treinamento é o local de trabalho. E por fim, vamos acompanhar processos judiciais em curso de torcedores que cometeram atos de violência nos estádios. A CBF terá uma atitude mais ativa de procurar esses processos”, disse Mauro Carmélio Neto, presidente em exercício da Federação Cearense de Futebol.
Finalizando o encontro, duas propostas foram apresentadas: o Programa de Modernização da Justiça Desportiva e a Regulamentação de Agentes de Futebol. Luís Otávio Veríssimo, presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, avaliou o trabalho que hoje é realizado e a proposta para a modernização do Tribunal.
“A partir das mudanças estruturantes adotadas pela CBF, de calendário, da profissionalização da arbitragem e o oferecimento para o STJD de um sistema eletrônico, a gente conseguiu colocar em prática um programa de diminuição dos prazos de julgamento, de otimização das rotinas, implementado desde abril. Estamos reduzindo o prazo médio que era, historicamente, de 79 dias para julgamento e conclusão de julgamento no STJD dos casos de série A, para 14 dias no máximo. Na média, hoje temos 8 dias para conclusão dos processos, que alguns encerram em primeira instância, outros têm recurso ao pleno, demoram um pouco mais. O campeonato de 2026, ele encerra no campo, encerra na justiça desportiva, sem caso a passar para o ano seguinte e frustrar a expectativa e a competitividade do campeonato, seja pelos clubes, seja pelos torcedores”, disse.
(Texto: CBF Oficial. Foto: Rafael Ribeiro/CBF)