Medicina humanizada é a tendência mundial
22/12/2019 21:40 em Saúde

No Brasil e no mundo, a tecnologia provoca uma revolução no setor da saúde. O que antes parecia coisa de ficção científica hoje se aproxima da realidade, por meio de uma corrida para descobertas de interações entre médico e máquinas, robôs e telemedicina, além do constante aperfeiçoamento de técnicas, que já se estabeleceram como promissoras no tratamento medicamentoso e cirúrgico. 

 

Dr. Cezar de Oliveira, neurocirurgião, especialista em coluna e chefe de equipe no Hospital Sírio-Libanês, explica que “com o auxílio das tecnologias e possibilidades de telemedicina (que já é realidade em diversos países e está em regulamentação no Brasil), os médicos vão se aproximar do paciente de forma menos corriqueira, mais humanizada, com resgate de valores, como empatia e atuação preventiva para evitar que a doença aconteça”. 

 

Este ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) criou um departamento exclusivo de saúde digital, para aproveitar o potencial e orientar os desenvolvimentos e os envolvidos, com o intuito de contribuir para que todas as pessoas obtenham o mais alto nível de saúde.

 

Os potenciais referidos pela OMS já são divulgados por universidades em todo o mundo, como a Universidade da Califórnia em San Diego (EUA), que desenvolveu microrrobôs capazes de navegar pelo corpo humano com medicamentos; microrrobôs simbióticos, pesquisados em universidades da China e do Reino Unido; o uso de inteligência artificial em robôs cirúrgicos, que permite rápida análise da composição química do corpo para detectar a presença de células cancerígenas; ou as lentes de contato sul coreanas, que realizam leitura da lágrima para detectar diabetes.

 

No Brasil, são os procedimentos minimamente invasivos que se fortalecem na medicina. Segundo Dr. Cezar, é preciso pensar em uma medicina que interfere pouco na vida das pessoas, para deixá-las acompanharem o ritmo da vida contemporânea. "Para isso, a endoscopia e os procedimentos percutâneos evoluem cada vez mais, os acessos são feitos de modo a agredir menos a pele e musculatura, com possibilidade de restabelecer o equilíbrio por incisões muito pequenas, o que garante mínimo repouso e rápido retorno do paciente às atividades”, comenta o especialista.

 

Revolução tecnológica

Na China, segundo a agência Xinhua, robôs autônomos realizam atendimento primário em hospitais. Eles são dotados de inteligência artificial e, por meio de leituras de dados, analisam sintomas e prescrevem remédios aos doentes. Ainda segundo a agência, a empresa fabricante intensifica seus esforços para estender sua atuação e comércio ao cuidado de idosos, em um futuro próximo.

 

No Brasil, robôs controlados por médicos são utilizados em cirurgias robóticas. Acontece desde 2008, mas caminha a passos lentos devido ao alto custo e à necessidade de qualificação dos profissionais. "Em cerca de dois ou três anos, mais cirurgias de coluna serão realizadas com robôs, o que já acontece fortemente na área urológica. É preciso pensar que o digital tem o potencial de baratear os preços e a saúde precisa ser mais democrática”, afirma Dr. Cezar.

 

Sobre o receio da substituição do médicos por robôs, o especialista aponta que “é preciso estudar mais, estar atento aos avanços, se aprofundar nas patologias e no histórico do paciente, para estar à frente e comandar as tecnologias. O conhecimento médico será sempre a base para o sucesso no uso de novas tecnologias”, encerra o especialista.

 

Dr. Cezar Augusto Alves de Oliveira – Neurocirurgião – Especialista em Coluna. Dr. Cezar de Oliveira é o chefe das equipes da Neurocirurgia nos hospitais: Sírio-Libanês, AACD, Hcor, Rede São Luiz, Edmundo Vasoncellos e Santa Catarina. Fez residência médica no Centro Médico da Universidade de Nova Iorque, no Departamento de Neurocirurgia, com o Prof. Dr. Paul Cooper, especializando-se em cirurgia da coluna. É Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, graduado pela Faculdade de Medicina de Campos (RJ) e cursou o Internato Eletivo em Neurocirurgia, no Instituto de Neurocirurgia da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Instagram @drcezardeoliveira 

(Foto: Rawpixel/Divulgação)

 

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