Na rotina de quem consome leite, ovos, carne ou peixe, nem sempre há espaço para perceber o caminho científico por trás de cada alimento. Na Universidade Estadual de Maringá (UEM), esse percurso faz parte do dia a dia de estudantes e pesquisadores do curso de Zootecnia, que transformam demandas do campo em investigação científica e, muitas vezes, em soluções aplicadas ao setor produtivo.
Essa relação direta entre ciência e cotidiano aparece com força nas pesquisas recentes conduzidas pelo Departamento de Zootecnia (DZO). Em estudos voltados à avicultura, por exemplo, as professoras Tatiana Santos e Simara Márcia Marcato investigam respectivamente como microminerais e óleos essenciais influenciam a nutrição de galinhas poedeiras e codornas. Os resultados indicaram impactos positivos na qualidade dos ovos, tanto na resistência da casca quanto em características internas.
Segundo Tatiana, microminerais específicos alteram diretamente o perfil antioxidante da gema e na formação da casca. “Para o consumidor, essa diferença nem sempre é visível. Mas para o produtor, representa um ovo mais forte, com menor índice de quebra e melhor retorno econômico”, afirma.
A proposta é avançar em alternativas que aliem produtividade e sustentabilidade, reduzindo a dependência de aditivos convencionais. “Com o uso de glicinatos e a redução de cobre, manganês e zinco na dieta em até 85%, observamos menor excreção desses minerais. Isso é sustentabilidade. Também melhoramos a resistência óssea das aves e a qualidade da casca dos ovos, mantendo o desempenho produtivo, o que representa economia para o produtor”, explica Simara.
Na produção leiteira, as pesquisas seguem a mesma linha. Um dos estudos resultou na criação de higienizantes naturais para uso na ordenha, com o objetivo de reduzir resíduos químicos e melhorar as condições sanitárias. Em outra frente, uma parceria com o setor produtivo viabilizou o lançamento de uma linha de derivados lácteos zero lactose, ampliando o acesso a consumidores com restrições alimentares e demonstrando o potencial de transformação do conhecimento acadêmico em produtos disponíveis no mercado.
A diversidade das pesquisas inclui ainda propostas que expandem o olhar sobre a produção animal. Um estudo desenvolveu um protocolo inédito para ordenha e produção de leite de coelha, abrindo possibilidades para nichos específicos e pouco explorados. Já na piscicultura, o trabalho com melhoramento genético chegou à 17ª geração da tilápia Tilamax, com ganho acumulado de 35%.
Esses exemplos ajudam a traduzir o que é a Zootecnia: uma ciência dedicada à criação, conservação e produção animal, com foco na eficiência, viabilidade econômica, responsabilidade social e respeito ambiental. Na UEM, esse conceito se mostra em uma formação conectada com o mercado e com as demandas da sociedade.
Pós-graduação com nota máxima
As pesquisas citadas ao longo da reportagem estão vinculadas ao Programa de Pós-Graduação em Zootecnia (PPZ), que alcançou o conceito máximo da Capes, nota 7, o mais alto nível de avaliação no país.
O programa, um dos mais antigos da universidade, iniciou suas atividades em 1993 com o mestrado e, em 1999, com o doutorado. Atualmente, oferta vagas nas duas modalidades na área de concentração “Produção Animal”, com quatro linhas de pesquisa.
O professor João Luiz Pratti Daniel, coordenador do PPZ entre 2023 e 2025, destaca o significado da conquista. “A nota máxima é o reconhecimento do grau de excelência do PPZ e da UEM na formação de recursos humanos altamente qualificados, na produção científica de ponta e, sobretudo, do seu impacto na sociedade. O PPZ/UEM sempre contribuiu para o desenvolvimento do agronegócio, um setor que, além de produzir alimentos, gera empregos e riquezas para o Brasil”, afirmou.
Segundo ele, o resultado é fruto de um esforço coletivo. Daniel ressalta a atuação de professores, estudantes, pós-doutores e técnicos ao longo dos anos, além do apoio institucional da universidade e do Estado do Paraná, das parcerias com instituições nacionais e internacionais e da interação com o setor produtivo.
Zootecnia na UEM
A Zootecnia da UEM articula ensino, pesquisa e extensão. Implantado em 1975, no câmpus de Maringá, e reconhecido pelo Ministério da Educação em 1978, o curso passou por atualizações ao longo das décadas para acompanhar as transformações do setor agropecuário. Atualmente, é ofertado em período integral, com duração média de cinco anos e 80 vagas anuais.
Ao longo de sua trajetória, a universidade formou mais de 2 mil zootecnistas até 2024. Esses profissionais atuam em áreas que vão da bovinocultura de corte e leite à piscicultura, passando por avicultura, apicultura, nutrição animal, genética, bem-estar e gestão de propriedades rurais. Muitos seguem na carreira acadêmica, enquanto outros ocupam posições em empresas, cooperativas e instituições de pesquisa no Brasil e no exterior.
A formação é sustentada por um corpo docente composto por 28 professores doutores, com experiência no Brasil e no exterior. Além da graduação, o grupo atua na pós-graduação, que já formou centenas de mestres e doutores ao longo de mais de três décadas.
Dentro da universidade, a vivência estudantil também integra esse processo. Iniciativas como o Programa de Educação Tutorial (PET), a empresa júnior ZooJr. Consultoria e a atuação da Associação Paranaense dos Estudantes de Zootecnia (APEZ) ampliam as possibilidades de profissionalização. Entre as ações organizadas pelos estudantes está o Congresso Paranaense de Zootecnia, que chegou à 45ª edição em 2025.
Sobre o curso
O curso de Zootecnia da UEM é em período integral, com duração média de cinco anos e oferta de 80 vagas anuais. A graduação segue as Diretrizes Curriculares Nacionais e forma o profissional conhecido como zootecnista, preparado para atuar em diferentes segmentos da produção animal.
A matriz curricular reúne disciplinas das áreas de nutrição animal, genética e melhoramento, produção de ruminantes e não ruminantes, pastagens, bem-estar animal, gestão rural e tecnologia de produtos de origem animal. Ao longo do curso, os estudantes também participam de atividades práticas em laboratórios e fazendas experimentais, além de projetos de pesquisa e extensão.
Quem quiser conhecer mais sobre o curso pode acessar o site oficial do Departamento de Zootecnia (DZO), onde estão disponíveis informações detalhadas sobre a grade curricular, corpo docente e oportunidades acadêmicas.
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(Adriana Cardoso/Comunicação UEM)