A Universidade Estadual de Maringá (UEM) recebe, a partir desta segunda-feira (02/03), a instalação imersiva “La Violencia en el Espacio”, fruto do trabalho do fotógrafo Carlos Salamanca e da pesquisadora Pamela Colombo, da Argentina. A exposição é articulada no Brasil pelo produtor cultural Luciano D’Miguel, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), e ficará aberta ao público na Biblioteca Central da UEM.
A instalação integra uma ampla rede de pesquisadores vinculados a 21 universidades argentinas, que investigam temas como gentrificação, uso do espaço urbano, arquitetura, sociologia e artes. O projeto propõe uma reflexão crítica sobre a organização das cidades e os processos de exclusão social materializados na paisagem urbana.
Segundo Luciano D’Miguel, a proposta vai além da fruição estética. “Não é apenas um objeto artístico, mas uma experiência provocadora, que convida à reflexão. A instalação discute como o espaço urbano pode ser utilizado para afastar e invisibilizar populações, especialmente as mais vulneráveis”, explica.
Experiência imersiva
“La Violencia del Espacio” é composta por cinco estruturas cúbicas de madeira, que criam ambientes imersivos. Dentro desses espaços, o visitante é convidado a mergulhar em imagens e narrativas que analisam diferentes formas de exclusão territorial na América Latina.
A pesquisa parte, entre outros marcos históricos, do período da ditadura militar argentina na década de 1970, especialmente durante a Copa do Mundo de 1978. Um dos exemplos abordados é o “Fuerte Esperanza”, construção erguida à época que, vista de cima, reproduz o símbolo oficial do mundial — evidenciando a relação entre arquitetura, poder político e propaganda.
A exposição já passou por diversas universidades e espaços culturais da Argentina e do Paraguai, chegando agora ao Brasil. Desde setembro do ano passado, iniciou circulação por instituições brasileiras, passando pela Unila e pela Unioeste, e agora integra um circuito que inclui UEM, UEL, Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), instituições de Sorocaba (SP), além de futuras tratativas com outras universidades públicas.
Parceria interinstitucional
A realização na UEM é fruto de articulação entre a Unila e a Diretoria de Cultura (DCU) da universidade. A montagem envolve equipes técnicas, marceneiros e profissionais de logística das instituições parceiras.
De acordo com Luciano D’Miguel, a circulação ocorre em regime de cooperação entre universidades públicas. “Cada instituição contribui com sua estrutura, transporte e equipe. É um esforço coletivo para que a arte circule e alcance diferentes públicos. A universidade deve ser um espaço vivo de cultura e reflexão”, afirma.
A instalação permanece em Maringá até o início de abril, período que abrange o retorno das atividades acadêmicas, possibilitando a visita de estudantes de graduação e pós-graduação, além da comunidade externa. A data oficial de abertura será divulgada em breve.
A expectativa é grande para a comunidade encontrar em “La Violencia del Espacio” uma reflexão sobre nosso mundo em nossas estranhezas. Algo brutal e visceral feito de memórias que sempre voltam a incomodar.
Serviço - Instalação imersiva “La Violencia en el Espacio” - De 2 de março a 4 de abril na Biblioteca Central da UEM.
(Marcelo Bulgarelli/Comunicação UEM)